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Sono · CRM-GO 33567

Insônia

Cada plano começa no diagnóstico. A consulta nomeia o que está quebrando o sono — queda de estradiol, pico de cortisol à noite, ansiedade, apneia, dor, horário — e só então monta a estratégia. Suplemento, peptídeo e hormônio entram nessa ordem, para homens e para mulheres, com exame e reavaliação.

Causas de insônia

O mesmo sintoma cabe em causas diferentes. Homens e mulheres seguem a mesma lógica: a história e o exame é que mudam. Tratar o despertar sem saber a origem escolhe a ferramenta cedo demais.

Hormônios

  • Mulheres: a queda de estradiol na transição e na menopausa fragmenta o sono. Calor noturno e despertar no meio da madrugada entram nessa leitura. A reposição, quando cabe, segue a avaliação hormonal individual.
  • Homens: testosterona baixa pode acompanhar sono curto e fragmentado. O estradiol também circula no homem e entra na leitura quando o exame pede. O eixo se lê junto, não por um número isolado.
  • Cortisol: o ritmo esperado é mais alto de manhã e mais baixo à noite. Um pico no fim do dia ou de madrugada acorda a pessoa. Estresse sustentado e noites curtas empurram esse eixo.
  • Tireoide: hiper e hipotireoidismo alteram o sono. O painel entra quando a história pede.

Ansiedade

Hiperativação, ruminação e despertar com o corpo ligado. A ansiedade pode ser a causa da insônia, ou a consequência de várias noites ruins. A consulta separa as duas antes de escolher conduta.

Respiração

Apneia obstrutiva fragmenta o sono mesmo em quem não se lembra de acordar. Ronco, pausa observada, sonolência de dia e pescoço largo entram na história. Em adultos com obesidade, a tirzepatida tem bula no Brasil para apneia obstrutiva do sono — indicação da apneia, quando couber, descrita na página do Mounjaro. Isso não dispensa o diagnóstico do sono.

Ritmo, hábitos e o resto

  • Cafeína tarde, álcool no fim do dia, horário irregular e tela na cama mudam o sono daquela noite e o da seguinte.
  • Na coorte do UK Biobank já na biblioteca, a regularidade do horário previu morte por qualquer causa com mais força do que as horas de sono. É coorte, não ensaio.
  • Dor, refluxo, medicação, pernas inquietas e humor deprimido mudam o plano. Cada um pede a sua pergunta na consulta.

Suplementos

Suplemento entra quando a causa já tem nome. A dose citada abaixo é a do ensaio, não uma prescrição. A consulta escolhe molécula, sal e quantidade.

Meta-análise · 19 ensaios · 1.683 pessoas

Melatonina · PLOS One · 2013

Melatonina

Para que serve. Encurtar o tempo até adormecer e, em grau menor, alongar o sono e a qualidade percebida. O efeito é modesto. Cabe melhor quando o eixo é o relógio — atraso de fase, melatonina noturna baixa — do que como sedativo genérico.

Mecanismo. Hormônio da pineal. Age nos receptores MT1 e MT2 e marca o início da noite biológica. A queda de luz no fim do dia é o sinal; luz forte à noite empurra o relógio.

O que o estudo mostrou. Ferracioli-Oda e colaboradores reuniram 19 ensaios e 1.683 pessoas com transtorno primário do sono. A latência caiu 7,06 minutos (intervalo 4,37 a 9,75). O tempo total de sono subiu 8,25 minutos (1,74 a 14,75). A qualidade teve diferença padronizada de 0,22. Ensaios mais longos e doses mais altas mexeram mais na latência e no tempo total. A qualidade não seguiu dose nem duração. O próprio artigo diz que o ganho absoluto é menor do que o de um hipnótico, com perfil mais benigno.

Interações. Fluvoxamina inibe a CYP1A2 e sobe de forma marcada a melatonina no sangue. Soma efeito com benzodiazepínico, álcool e outros sedativos. Anticoagulante e imunossupressor pedem leitura conjunta.

Contraindicações. Gestação e doença autoimune ativa ficam sem dado suficiente para uso rotineiro. Criança não entra como indicação desta página.

Efeitos colaterais. Sonolência na manhã seguinte, dor de cabeça e sonho vívido. Em geral passam ao ajustar horário e quantidade.

Ferracioli-Oda · PLOS One · 2013

Ensaio · 46 idosos

Magnésio · óxido · 2012

Magnésio

Para que serve. Insônia primária em pessoa idosa, sobretudo quando a ingestão alimentar está baixa. Não é um hipnótico para qualquer idade.

Mecanismo. Antagoniza o receptor NMDA e favorece o tônus GABA. No ensaio, a melatonina sérica subiu e o cortisol caiu no grupo suplementado.

O que o estudo mostrou. Abbasi e colaboradores randomizaram 46 idosos (23 mulheres e 23 homens, média de 65 anos) com insônia primária. Por 8 semanas, o grupo ativo tomou óxido de magnésio duas vezes ao dia: cada comprimido tinha 414 mg de óxido, equivalentes a 250 mg de magnésio elementar (500 mg elementares ao dia). No diário de sono, tempo de sono (p = 0,002), eficiência (p = 0,03) e latência (p = 0,02) separaram do placebo. O escore de gravidade da insônia caiu (p = 0,006). Renina (p < 0,001) e melatonina (p = 0,007) subiram; cortisol caiu (p = 0,008). O tempo total de sono, noutra medida, não separou (p = 0,37). O magnésio sérico só tendeu a subir (p = 0,06).

Interações. Quinolona, tetraciclina, bifosfonato e levotiroxina perdem absorção se forem no mesmo horário: separar por algumas horas. Em anestesia, o magnésio potencializa bloqueador neuromuscular.

Contraindicações. Insuficiência renal grave, pelo risco de acúmulo. Bloqueio cardíaco e miastenia pedem leitura antes.

Efeitos colaterais. Diarreia, mais com óxido e citrato. O bisglicinato costuma ser melhor tolerado no intestino; essa tolerância não foi o desfecho do ensaio de 2012, que usou óxido. Pressão baixa e fraqueza aparecem quando o sangue passa do limite, em geral com rim comprometido.

Abbasi · 2012 · Magnésio na biblioteca

Sono não separou do placebo

Magnésio L-treonato · memória

Magnésio L-treonato

Para que serve. Neste acervo, o sal estudado é o da memória, não o da insônia.

Mecanismo. É magnésio ligado a treonato. A proposta dos ensaios é chegar ao sistema nervoso e mudar cognição. Sono não foi o desfecho que separou os grupos.

O que o estudo mostrou. Nos dois ensaios da biblioteca — adultos de 50 a 70 anos por 12 semanas, e adultos de 18 a 45 anos com 2 g ao dia por 6 semanas — o sono não separou do placebo. O anel de sono do ensaio de 2025 também não separou os grupos.

Interações e contraindicações. As do magnésio: rim grave, e o espaçamento de quinolona, tetraciclina, bifosfonato e levotiroxina.

Efeitos colaterais. Intestino, em geral mais leve do que com o óxido. O desfecho que a página de suplementos guarda é cognição, com os limites já escritos lá.

Magnésio L-treonato na biblioteca

Ensaios pequenos · 3 g à noite

Glicina · 2007 e 2012

Glicina

Para que serve. Qualidade subjetiva do sono e cansaço no dia seguinte, em quem já dorme mal ou dorme menos do que o habitual. Não é ensaio de insônia crônica grave.

Mecanismo. Aminoácido. Atua no receptor de glicina, inibitório, e no sítio do NMDA. Por via oral, a temperatura central cai junto com mais fluxo de sangue na pele — o mesmo movimento que antecede o sono. No trabalho de 2012, a melatonina plasmática do rato não mudou.

O que o estudo mostrou. Yamadera e colaboradores deram 3 g antes de deitar a voluntários com sono insatisfatório. A polissonografia encurtou a latência até adormecer e até o sono de ondas lentas, sem mudar a arquitetura. A satisfação subjetiva melhorou, e a sonolência do dia seguinte diminuiu. Bannai e colaboradores, em 2012, restringiram o sono em 25% por três noites e deram os mesmos 3 g: a fadiga caiu e o teste de vigilância psicomotora melhorou.

Interações. Os ensaios não fecharam interação grave. Quem usa clozapina merece leitura: a clozapina conversa com a transmissão glutamatérgica em que a glicina participa.

Contraindicações. Sem contraindicação absoluta neste conjunto. Gestação não foi estudada como indicação de sono.

Efeitos colaterais. Amolecer o intestino e desconforto gástrico, em geral leves na dose do ensaio.

Yamadera · 2007 · Bannai · 2012

Ensaio cruzado · 30 adultos

L-teanina · Nutrients · 2019

L-teanina

Para que serve. Sono ruim no contexto de estresse, em pessoa sem doença psiquiátrica maior. O ensaio não recrutou insônia crônica diagnosticada.

Mecanismo. Aminoácido do chá, análogo do glutamato. Modula o tônus excitatório. O achado clínico do ensaio é estresse e escore de sono, não um sedativo de meia-vida longa.

O que o estudo mostrou. Hidese e colaboradores fizeram um cruzado duplo-cego em 30 adultos (9 homens e 21 mulheres, média de 48 anos). L-teanina 200 mg ao dia, ou placebo, por 4 semanas. Depressão, ansiedade-traço e o índice de Pittsburgh caíram depois da teanina. Latência, perturbação do sono e uso de medicação para dormir ficaram melhores do que com placebo nas subescalas.

Interações. Pode somar com anti-hipertensivo. Com cafeína o efeito é outro: o ensaio de sono usou a teanina sozinha.

Contraindicações. Sem contraindicação fechada neste ensaio. Gestação não foi estudada.

Efeitos colaterais. O ensaio descreveu boa tolerância. Dor de cabeça e tontura aparecem em relatos, pouco frequentes.

Hidese · Nutrients · 2019

Ensaio piloto · desfecho principal não separou

Apigenina · camomila · 2011

Apigenina

Para que serve. A molécula isolada circula como “suplemento de sono”. O que existe em gente é extrato de camomila, e o ensaio de insônia crônica não separou o diário de sono do placebo.

Mecanismo. A apigenina, no laboratório, liga o sítio benzodiazepínico do receptor GABA-A. Isso não equivale a um ensaio da cápsula isolada. O comprimido testado em pessoas foi extrato de Matricaria recutita padronizado, que contém apigenina e outros compostos da flor.

O que o estudo mostrou. Zick e colaboradores randomizaram 34 adultos de 18 a 65 anos com insônia primária há pelo menos 6 meses. Camomila 270 mg duas vezes ao dia, ou placebo, por 28 dias. Tempo total, eficiência, latência, despertares e qualidade do diário não diferiram. Houve sinal modesto, sem significância, em função do dia. Eventos adversos foram parecidos com o placebo.

Interações. Soma teórica com sedativo. Inibição de enzimas do fígado aparece em tubo de ensaio, não como interação clínica fechada neste piloto.

Contraindicações. Alergia a plantas da família da camomila (asteráceas). Gestação: o piloto não incluiu.

Efeitos colaterais. No piloto, leves e transitórios, sem diferença contra placebo.

Zick · 2011

Ensaio · 80 adultos · 8 semanas

Ashwagandha · raiz · 2020

Ashwagandha

Para que serve. Sono e ansiedade quando o eixo é estresse. O ganho foi maior em quem já tinha insônia do que em voluntário saudável.

Mecanismo. Withania somnifera. Os withanolides modulam o eixo do estresse e o GABA. Não é melatonina e não substitui a leitura de estradiol ou de cortisol medido.

O que o estudo mostrou. Langade e colaboradores estudaram 80 adultos por 8 semanas: 40 saudáveis e 40 com insônia, extrato de raiz ou placebo. Sono, ansiedade de Hamilton e alerta ao acordar melhoraram no grupo do extrato, com diferença mais clara no braço da insônia. Latência e eficiência foram os parâmetros que mais se moveram.

Interações. Soma sedação com benzodiazepínico, álcool e hipnótico. Pode alterar hormônio tireoidiano: quem trata tireoide repete o exame. Imunossupressor e sedativo pedem leitura.

Contraindicações. Gestação fica de fora. Doença hepática ativa e hipertireoidismo descompensado também. Há casos publicados de lesão hepática.

Efeitos colaterais. Sonolência, enjoo e fezes amolecidas. Lesão hepática é rara e está em relato de caso, não na taxa do ensaio de 8 semanas.

Langade · Journal of Ethnopharmacology · 2020

Revisão · 16 ensaios · 1.093 pessoas

Valeriana · American Journal of Medicine · 2006

Valeriana

Para que serve. Qualidade subjetiva do sono. A polissonografia, nos estudos que a mediram, não separou do placebo.

Mecanismo. Extrato da raiz de Valeriana officinalis. Os ácidos valerênicos aumentam o sinal GABA. Preparações e doses variam tanto que um frasco não equivale ao outro.

O que o estudo mostrou. Bent e colaboradores reuniram 16 ensaios e 1.093 pessoas. A maioria tinha problema de método. Em 6 estudos com desfecho sim ou não, a chance de sono melhor foi 1,8 (intervalo 1,2 a 2,9), com viés de publicação. A revisão pede cautela. Ressaca na manhã seguinte não apareceu de forma consistente.

Interações. Soma efeito com álcool, benzodiazepínico e outros sedativos.

Contraindicações. Hepatopatia ativa. Gestação não está estabelecida. Parar de uma vez, depois de uso contínuo, já foi associado a desconforto de retirada em relato.

Efeitos colaterais. Dor de cabeça, sonolência e, num estudo da revisão, mais diarreia do que com placebo. Lesão hepática existe em relato posterior, rara. A revisão de 2006 não encontrou um padrão grave de evento adverso.

Bent · 2006

Interação serotoninérgica

5-HTP · precursor

5-HTP

Para que serve. Precursor de serotonina e, adiante, de melatonina. Entra na conversa quando o eixo é humor e início do sono. Os ensaios de insônia são pequenos e não fecham indicação nesta página.

Mecanismo. 5-hidroxitriptofano. A descarboxilase, com vitamina B6, transforma em serotonina. Parte segue para melatonina na pineal. Por isso sobe serotonina fora do controle que o triptofano alimentar tem.

O que o estudo mostrou. Não há, aqui, meta-análise grande de insônia para citar no mesmo nível da melatonina. O ponto que muda a conduta é a interação, não um minuto a mais de sono.

Interações. Não associar a ISRS, IRSN, IMAO, tramadol, triptano, linezolida ou outro serotoninérgico sem decisão médica. O risco é a síndrome serotoninérgica: agitação, febre, tremor, rigidez, diarreia. Com carbidopa, a serotonina periférica sobe e o enjoo também. L-triptofano segue a mesma lógica. Em 1989, um lote contaminado de L-triptofano causou eosinofilia-mialgia; o episódio foi do contaminante. A interação com antidepressivo continua valendo para os dois.

Contraindicações. Uso corrente de antidepressivo serotoninérgico, síndrome serotoninérgica prévia, tumor carcinoide. Suspender antes de cirurgia, pelo mesmo eixo.

Efeitos colaterais. Náusea, dor abdominal e sonho vívido.

Ensaio cego simples · 10 pessoas

GABA oral · 2016

GABA

Para que serve. Encurtar o começo do sono em quem tem queixa leve. Não é ensaio de insônia crônica.

Mecanismo. Ácido gama-aminobutírico, o transmissor inibitório principal do cérebro. Por via oral, a barreira hematoencefálica deixa passar pouco. O ensaio liga o efeito ao pico no sangue, cerca de 30 minutos depois da cápsula, e a um possível aumento do parassimpático com queda da temperatura central.

O que o estudo mostrou. Yamatsu e colaboradores estudaram 10 adultos japoneses em cruzado, cego simples, com 100 mg de GABA à noite por uma semana. A latência caiu 5,0 minutos (p = 0,020), a partir de uma latência basal em torno de 10 minutos. O sono não REM total subiu 2,2 pontos percentuais (p = 0,040). A sensação ao despertar melhorou. O comitê de ética era da empresa que fabrica o ingrediente. O placebo piorou em parte por clima na noite do exame. Dez pessoas não fecham indicação.

Interações. Soma teórica com benzodiazepínico, álcool e hipnótico.

Contraindicações. Sem contraindicação absoluta neste ensaio pequeno. Gestação não foi estudada.

Efeitos colaterais. Desconforto gástrico e sonolência leve. O ensaio não viu ressaca na manhã seguinte nesse grupo.

Yamatsu · 2016

Estresse físico · 9 homens · não é ensaio de sono

Fosfatidilserina · cortisol · 1992

Fosfatidilserina

Para que serve. Quando a hipótese da insônia é cortisol alto no estresse, não como indutor do sono. O estudo humano clássico mediu hormônio depois de exercício, não um diário de insônia.

Mecanismo. Fosfolipídio de membrana. No ensaio, amorteceu a resposta de ACTH e de cortisol ao exercício, sem bloquear o hormônio do crescimento nem a prolactina.

O que o estudo mostrou. Monteleone e colaboradores deram fosfatidilserina de córtex cerebral, 800 mg ao dia por 10 dias, a 9 homens saudáveis, contra placebo. ACTH (p = 0,003) e cortisol (p = 0,03) subiram menos depois do exercício. A dose de 400 mg ao dia, no mesmo trabalho, não segurou o cortisol. A fonte daquele frasco era animal. O produto de hoje costuma ser de soja, e essa troca não está no mesmo ensaio.

Interações. Anticoagulante e antiagregante pedem leitura. Não há tabela moderna de interação com hipnótico.

Contraindicações. O ensaio é de homens saudáveis sob esforço. Não autoriza uso em gestação nem substitui a medida do cortisol quando a clínica suspeita de pico noturno.

Efeitos colaterais. Desconforto gástrico. Insônia paradoxal aparece em relato de quem toma a dose inteira tarde: o horário entra na consulta.

Monteleone · 1992

Peptídeos

Peptídeo espera a causa. DSIP e epitalon são as duas moléculas desta página com leitura direta de sono ou de melatonina. Nenhum dos dois tem registro na Anvisa para insônia. A via dos ensaios de DSIP foi a endovenosa, não a subcutânea que circula hoje. Sem dose de prescrição aqui: o número, quando aparece, é o do estudo.

Ensaios pequenos · via endovenosa · resultados divergentes

DSIP · peptídeo indutor de sono delta

DSIP

Para que serve. Insônia crônica, na hipótese de sono delta pobre e cansaço no dia seguinte. A evidência humana é antiga, pequena e não é unânime.

Mecanismo. Nonapeptídeo isolado como fator que aumenta o sono delta no eletroencefalograma. Nos ensaios, o que se mediu foi polissonografia e alerta no dia seguinte. O receptor em humanos não está fechado. Não é benzodiazepínico e, nos relatos de Basileia, não produziu a ressaca típica de sedativo.

O que o estudo mostrou. Schneider-Helmert, em 1987, estudou 14 adultos de meia-idade com insônia crônica grave. DSIP endovenoso por 7 noites, duplo-cego, controlado por placebo. O sono da noite melhorou já na primeira dose e de novo com as doses repetidas, e o efeito segurou na primeira noite de placebo depois. Eficiência do sono e descanso diurno chegaram ao nível de controles, e o alerta do dia seguinte subiu. Bes e colaboradores, em 1992, estudaram 16 pacientes com insônia crônica, também duplo-cego: 25 nmol/kg endovenosos à tarde, antes de três noites. A eficiência ficou mais alta e a latência mais curta do que com placebo, mas os autores julgaram o efeito fraco e em parte explicável por oscilação do grupo placebo. A qualidade subjetiva não mudou. A conclusão deles: tratamento curto com DSIP não deve trazer benefício terapêutico importante. Os trabalhos positivos saem sobretudo de um grupo, em Basileia. O ensaio de Amsterdã é o contrapeso independente.

Interações. Não há tabela moderna. Soma teórica com sedativo. Os ensaios pediam infusão lenta: injeção rápida foi descrita como mal tolerada na série de Basileia.

Contraindicações. Sem registro na Anvisa para esta indicação. Gestação, apneia e uso subcutâneo crônico não estão nesses ensaios. A via estudada foi a veia.

Efeitos colaterais. Na série de Basileia a compatibilidade foi boa quando a infusão era lenta. Não há farmacovigilância contemporânea equivalente à de um medicamento com bula.

Schneider-Helmert · 1987 · Bes · 1992 · Série de Basileia · 1983

Pineal · um grupo de pesquisa

Epitalon · epithalon · epitalamina

Epitalon (epithalon)

Para que serve. Eixo da pineal em pessoa idosa com melatonina noturna baixa. Epitalon e epithalon são o mesmo tetrapeptídeo, AEDG. A epitalamina é o extrato da glândula de onde ele foi tirado. Não é um ensaio moderno de insônia com diário e placebo cego.

Mecanismo. Em idosos, um curso de epitalamina subiu a melatonina da noite em quem tinha a pineal pouco ativa. A proposta é repor o sinal da glândula, não sedar. Por isso conversa com a ficha de melatonina, e não a substitui quando o problema é estradiol, cortisol ou apneia.

O que o estudo mostrou. O trabalho de 2004 descreve essa subida de melatonina noturna. Numa série de lesão degenerativa da retina, o epitalon se associou a melhora clínica na maior parte dos casos — outro desfecho, não sono. O acompanhamento mais longo junta São Petersburgo e Kiev: 266 pessoas idosas por 6 a 8 anos, com menos infecção respiratória e menor mortalidade nos grupos de timulina, epitalamina ou as duas. O desenho é antigo, de um único grupo, sem o cegamento que se exige hoje. A revisão polonesa de 2025 junta a linha e deixa o limite visível.

Interações. Soma teórica com melatonina exógena, porque os dois mexem no mesmo sinal noturno. Não há estudo de interação com benzodiazepínico.

Contraindicações. Sem registro na Anvisa para insônia. Gestação e câncer ativo ficam de fora: não há dado de segurança que autorize. Não se empilha com outro peptídeo de pineal sem leitura.

Efeitos colaterais. Os relatos antigos não montam um perfil moderno de evento adverso. O que se declara é a lacuna, não uma lista inventada.

Melatonina · 2004 · Acompanhamento · 2002 · Revisão polonesa · 2025 · Ficha na biblioteca

Ansiedade · ensaios pequenos · não é ensaio de insônia

Selank

Selank

Para que serve. Quando a insônia vem da ansiedade. Os ensaios mediram escala de ansiedade e cansaço mental, não polissonografia.

Mecanismo. Heptapeptídeo sintético inspirado numa molécula do sistema imune, com efeito ansiolítico descrito em estudos russos. Não é indutor de sono delta.

O que o estudo mostrou. Ensaios pequenos compararam o efeito ansiolítico ao de um benzodiazepínico. Em 2015, o efeito na escala de ansiedade apareceu mais cedo quando o benzodiazepínico vinha associado ao selank, com menos efeitos indesejáveis do benzodiazepínico. Não fecham indicação de insônia.

Interações. O ensaio de 2015 usou benzodiazepínico junto. Soma sedação é possível. Sem registro na Anvisa para esta leitura.

Contraindicações. Gestação não estudada. Não substitui tratamento de transtorno de ansiedade já em curso.

Efeitos colaterais. Os estudos pequenos descrevem tolerância melhor do que a do benzodiazepínico sozinho. A amostra não basta para um perfil de segurança.

Selank na biblioteca

Bula · apneia com obesidade

Tirzepatida · outra molécula

Tirzepatida

Para que serve. Apneia obstrutiva do sono moderada a grave em adulto com obesidade, quando essa é a causa do sono fragmentado. Não é peptídeo de insônia primária.

Mecanismo. Agonista de GIP e GLP-1. A bula no Brasil inclui diabetes tipo 2, controle de peso e apneia obstrutiva do sono.

Interações, contraindicações e efeitos. O perfil é o do medicamento com bula: náusea e outros efeitos gastrointestinais enquanto a dose sobe, e as contraindicações da bula. O detalhe está na página do Mounjaro e nas canetas.

Sono não foi medido

Ipamorelina · CJC-1295

Ipamorelina

Para que serve. Não há, nos estudos citados na biblioteca, desfecho de sono. A pergunta “melhora o sono?” recebe essa resposta: o trabalho não mediu.

Mecanismo. Secretagogo de hormônio do crescimento, mais seletivo em modelo experimental, com menos efeito sobre o cortisol do que outros da classe. CJC-1295 é o análogo de GHRH que entra no par. Seletividade de laboratório não é ensaio de insônia.

Interações e contraindicações. Sem registro para sono. Câncer ativo, diabetes descompensado e gestação ficam fora de qualquer leitura de secretagogo até a consulta. O limite está na biblioteca.

Atualizado em 27/09/2026. Conteúdo educativo. A conduta é individual.

Como funciona a consulta? · Concierge