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Biblioteca científica · CRM-GO 33567
Reposição hormonal
Molécula bioidêntica, janela de tempo e o que cada ensaio realmente testou.
Quando o hormônio falta, a preferência é a molécula que o corpo já reconhece — estradiol, progesterona micronizada, testosterona — ajustada ao exame, ao sintoma e ao momento de vida. Isso é reposição fisiológica: repor o que baixou, até a faixa que a pessoa funcionava bem, com acompanhamento.
Os estudos abaixo mostram por que a molécula e o tempo de início importam. A página de terapia hormonal situa o atendimento.
Mulheres
Consenso de sociedade
Mulheres · Menopause, 2022
Terapia hormonal na menopausa
A posição de 2022 da North American Menopause Society organiza para quem a terapia hormonal faz sentido, em que janela de tempo, e quais riscos acompanham a decisão.
É documento de síntese, base para a conversa na consulta.
Ensaio clínico randomizado
Mulheres · estradiol · ELITE
Estradiol e espessura da artéria
Mulheres na pós-menopausa receberam estradiol cedo — menos de seis anos sem menstruar — ou tarde, mais de dez anos depois. Nas que começaram cedo, a espessura da parede da carótida avançou menos do que com placebo. Nas que começaram tarde, essa diferença não apareceu.
O relógio importa tanto quanto a molécula. É a base da ideia de janela de oportunidade.
Ensaio clínico randomizado
Mulheres · progesterona micronizada · PEPI
Progesterona micronizada, endométrio e HDL
No ensaio PEPI, mulheres na pós-menopausa usaram estrogênio sozinho ou com diferentes progestagênios. A combinação com progesterona micronizada — a mesma molécula que o ovário produz — preservou melhor o HDL do que a combinação com uma progestina sintética, e protegeu o endométrio.
É uma das razões da preferência por bioidêntico quando ele existe.
Ensaio grande · ler com contexto
Mulheres · Women’s Health Initiative · seguimento
Terapia hormonal e desfechos da Iniciativa de Saúde da Mulher
O WHI testou estrogênio equino com uma progestina sintética, em mulheres mais velhas, muitas já distantes da última menstruação. O seguimento de 2013 separa o que ocorreu durante o uso e depois, e mostra que idade e momento mudam o balanço.
A formulação daquele ensaio não é a dupla estradiol e progesterona micronizada que a reposição fisiológica prefere hoje. Citar o WHI sem dizer isso é o erro mais comum do assunto.
Homens
Ensaio clínico randomizado
Homens · testosterona · TTrials
Testosterona, função sexual e massa magra
Homens com 65 anos ou mais e testosterona baixa receberam gel de testosterona ou placebo por um ano. Houve ganho em desejo e atividade sexual, em humor e, entre quem caminhava devagar no início, na distância percorrida. Vitalidade referida não mudou como desfecho principal.
O estudo descreve reposição em quem estava baixo, com exame — lógica fisiológica, não estímulo para quem já está na faixa.
Ensaio de segurança cardiovascular
Homens · TRAVERSE
Testosterona e segurança cardiovascular
O TRAVERSE acompanhou homens com hipogonadismo e alto risco cardiovascular, em testosterona ou placebo, para ver se a reposição aumentava infarto, AVC ou morte cardiovascular. Nesse desenho, a testosterona não foi inferior ao placebo para esse desfecho.
Continua valendo medir, acompanhar hematócrito, próstata e sintoma. Equilíbrio, não atalho.
Estudos mais recentes
Coorte e caso-controle mostram associação. O ensaio mostra o que o sorteio mediu.
Caso-controle nacional
Terapia hormonal e demência · Dinamarca · 2023
Terapia hormonal e demência
Todas as mulheres dinamarquesas de 50 a 60 anos em 2000, sem demência prévia e sem contraindicação à terapia hormonal, entraram na base. O desfecho foi o primeiro diagnóstico de demência ou o primeiro uso de medicamento específico para demência.
Quem usou estrogênio com progestagênio teve taxa maior de demência de qualquer causa do que quem nunca usou: razão de risco 1,24 (intervalo de 1,17 a 1,33). A associação apareceu também em quem começou aos 55 anos ou antes. É registro, não sorteio: não prova que o hormônio causou a demência.
Ensaio clínico randomizado
Testosterona e fratura · 2024
Testosterona e risco de fratura
Subestudo do ensaio que mediu a segurança cardiovascular da testosterona. 5.204 homens de 45 a 80 anos, com hipogonadismo e risco cardiovascular, receberam gel de testosterona ou placebo. Seguimento mediano de 3,19 anos.
Fratura clínica ocorreu em 3,50% do grupo testosterona e em 2,46% do placebo. Razão de risco 1,43 (intervalo de 1,04 a 1,97). O tratamento não baixou a incidência de fratura. A incidência foi numericamente maior em quem recebeu testosterona.
Revisão dos ensaios
Iniciativa de Saúde da Mulher · 2024
Terapia hormonal, sintomas e prevenção de doença crônica
Revisão, no JAMA, dos ensaios randomizados da Women's Health Initiative e do que isso significa na prática. O texto relê câncer, coração, fratura e dieta à luz do seguimento longo.
Em mulheres na pós-menopausa, a indicação que esses ensaios sustentam é o sintoma vasomotor incômodo, no início da menopausa, sem contraindicação, quando a mulher quer o tratamento. Prevenção de doença cardiovascular e de outras doenças crônicas ficou fora do que o conjunto mostrou. Cálcio com vitamina D, de rotina, também ficou fora da prevenção de fratura nesse conjunto.
Seguimento de ensaio
KEEPS · substância branca · 2025
Terapia hormonal e substância branca cerebral
O KEEPS sorteou mulheres recém-saídas da menopausa para estrogênio equino oral, estradiol transdérmico ou placebo, por quatro anos. O seguimento olhou a substância branca em ressonância cerca de dez anos depois, em 266 participantes, idade média 67 anos.
Não houve diferença, depois do ajuste para múltiplas comparações, nas medidas de difusão, no volume de hiperintensidades nem em infartos, entre os braços tratados e o placebo.
Coorte nacional
Terapia hormonal e mortalidade · Dinamarca · 2026
Terapia hormonal e mortalidade
Coorte nacional com 876.805 mulheres. 104.086 (11,9%) retiraram prescrição de terapia hormonal da menopausa. Seguimento mediano de 14,3 anos. Morreram 47.594 (5,4%).
A razão de risco ajustada foi 0,96 (intervalo de 0,93 a 0,98). O estudo não encontrou aumento de mortalidade associado à terapia. É registro de prescrição, não ensaio: quem recebe hormônio não é igual a quem não recebe.
Tireoide
Ensaio clínico pequeno · um centro
Laser de baixa potência · Hashimoto · São Paulo
Laser de baixa potência na tireoidite de Hashimoto
O ensaio randomizado está na Lasers in Medical Science, 2013. Quarenta e três pessoas com hipotireoidismo por tireoidite autoimune crônica receberam 10 sessões de laser 830 nm ou uma luz placebo. Eram 23 e 20. A levotiroxina foi suspensa 30 dias depois. Aos 9 meses, a dose necessária para manter o hormônio normal foi 38,59 µg/dia no grupo do laser e 106,88 µg/dia no placebo (p < 0,001). O anticorpo anti-TPO ficou mais baixo (p = 0,043) e a ecogenicidade da tireoide aumentou (p < 0,001). O anti-tireoglobulina não diferiu.
Seis anos depois, no International Journal of Endocrinology, a dose de levotiroxina ainda era menor no grupo que tinha recebido laser (p = 0,002). Os anticorpos já não diferiam. Nódulos apareceram em três pessoas de cada grupo. O laser, neste desenho, não tirou a necessidade de hormônio. É um centro, uma amostra pequena, e não é conduta de diretriz.
Uma revisão narrativa de 2026, no International Journal of Molecular Sciences, reuniu seis estudos clínicos entre 2010 e 2025. Os protocolos diferem, e vários misturam o laser com selênio ou vitamina D. Em 2026, a Lasers in Medical Science publicou um ensaio com placebo em 60 pessoas: fadiga, sono e escalas de ansiedade e depressão melhoraram mais no grupo do laser (p < 0,05), medidos no terceiro mês.
Lasers in Medical Science · 2013 · Seguimento de 6 anos · 2018 · Revisão · 2026 · Fadiga · 2026
Meta-análise · heterogeneidade alta no anticorpo
Selênio · Hashimoto · Thyroid, 2024
Selênio na tireoidite de Hashimoto
Meta-análise de 35 ensaios, na Thyroid. Em quem não usava reposição, o TSH caiu: diferença padronizada −0,21 (intervalo −0,43 a −0,02), em 7 coortes e 869 pessoas. O anti-TPO caiu −0,96 (−1,36 a −0,56), em 29 coortes e 2.358 pessoas, com heterogeneidade de 90%.
T4 livre, T3, anti-tireoglobulina e volume da tireoide não mudaram de forma significativa. Eventos adversos foram parecidos com o controle (razão de chances 0,89). A Cochrane, em 2013, já tinha reunido o selênio na Hashimoto e pedido ensaios melhores. A revisão de 2016, na Thyroid, encontrou queda do anticorpo. A de 2017, na Endocrine, considerou a documentação clínica insuficiente. A certeza da evidência de 2024 foi moderada. O selênio mexe no anticorpo num conjunto ruidoso, e não substitui a levotiroxina quando ela já é necessária.
Cochrane · 2013 · Thyroid · 2016 · Endocrine · 2017 · Thyroid · 2024